Disfunções Sexuais

A Andrologia, uma área específica da Urologia, trata os problemas sexuais do homem e a infertilidade do casal de causa masculina. As disfunções sexuais são um problema comum em ambos os sexos, afectando, de acordo com os dados do estudo Episex, 24% dos homens e 56% das mulheres. No homem, são os problemas relacionados com a excitação e o orgasmo os mais frequentes, enquanto na mulher, além dos problemas que se prendem com a excitação, existem também os que se relacionam com o desejo, o orgasmo e as síndromes dolorosas pélvicas.

Vários estudos confirmam que, a disfunção eréctil no homem pode ser encarada como um preditor de doença cardiovascular num futuro próximo. As artérias do pénis sendo de calibre mais pequeno do que as artérias coronárias ou de outros territórios vasculares sofrem, mais cedo, as repercussões sistémicas da aterosclerose, com consequente disfunção das células endoteliais dos corpos cavernosos e das artérias do pénis, entendida como denominador comum com as doenças cardiovasculares. Estas entidades partilham os factores de risco major, como sejam a hipertensão, a dislipidemia, a diabetes e o tabaco.

O diagnóstico da disfunção eréctil, na maior parte dos casos, é simples e baseia-se na avaliação clínica, sendo possível percepcionar o risco cardiovascular nos 3-5 anos subsequentes e, com isso, corrigir e controlar os factores de risco que, a curto prazo, vão levar ao aparecimento das doenças cardiovasculares ateroscleróticas (AVC, Enfarte Agudo do Miocárdio). Com a descoberta de novos fármacos e dispositivos médicos para o seu tratamento, a disfunção erétil pode ser tratada com alto grau de sucesso, não sendo mais necessário sofrer física e psicologicamente, mas sim recorrer ao urologista para ativamente e mais cedo tratar a disfunção sexual. Quando, mesmo assim, a terapêutica conservadora falha, a colocação de uma prótese peniana maleável é a melhor solução e com bons resultados.

Na ejaculação prematura, o grande estudo europeu PEPA (Premature Ejaculation Prevalence and Attitudes) mostrou uma prevalência de 22,7%. Antes de iniciar qualquer tratamento, é mandatário discutir com o doente/casal as expectativas e resultados esperados, e identificar eventuais causas secundárias de ejaculação prematura, com sejam os problemas emocionais, as prostatites ou a patologia da glândula tiróidea. De igual modo, a disfunção eréctil, caso coexista, deve ser tratada antes ou em simultâneo.

A terapêutica psicológica/comportamental requer tempo, uma relação estável e cooperação da parceira, sendo que os resultados a longo prazo são pouco animadores. As duas técnicas mais comuns são o "pára-arranca” e a técnica de compressão da glande. A masturbação prévia e a “distracção mental” também são, por vezes, utilizadas.

Na ejaculação prematura, a terapêutica farmacológica consiste na aplicação de anestésicos (agentes retardantes/dessensibilizantes), com a lidocaína ou a prilocaína, ou a terapêutica com inibidores da recaptação da serotonina (usados como antidepressivos), como a paroxetina, a sertralina ou a fluoxetina. A dapoxetina é um inibidor da recaptação da serotonina, específico, que deve ser tomado “on demand”, isto é 1 a 3 horas antes da relação sexual.